Guia para incorporadoras

Memorial descritivo e personalização: o que precisa ficar no papel

Como as escolhas do comprador se relacionam com o memorial descritivo, o que o termo de personalização deve registrar e como evitar divergências na entrega.

Última atualização: · 8 min de leitura

Este guia é informativo e não substitui a orientação de um advogado. Revise os seus modelos de contrato com o seu jurídico.

O que é o memorial descritivo

O memorial descritivo é o documento que descreve as especificações da obra: os materiais e acabamentos de cada ambiente das unidades e das áreas comuns. Na incorporação imobiliária, ele faz parte dos documentos que a Lei 4.591/1964 pede para o registro da incorporação, e é a referência do que o comprador vai receber.

Para a personalização, o memorial tem um papel simples e importante: ele define o acabamento padrão. Toda escolha do comprador é uma troca em relação a esse padrão, e todo item que ele não trocar continua como está no memorial.

Onde a personalização entra

Quando o comprador escolhe um acabamento diferente do padrão, a unidade dele passa a ter especificações próprias. Em geral, isso não muda o memorial registrado do empreendimento: as alterações ficam num documento assinado entre a incorporadora e o comprador, normalmente chamado de termo de personalização ou aditivo ao contrato.

Esse documento é o que a engenharia, suprimentos e a equipe de entrega consultam para saber o que instalar em cada unidade. Por isso, ele precisa ser completo e sem ambiguidade: qualquer item vago vira discussão na vistoria.

O que o termo de personalização precisa registrar

  • Identificação. Comprador (nome e CPF ou CNPJ), empreendimento, unidade e tipologia, e a referência ao contrato de compra.
  • Cada item alterado. Ambiente, item, o padrão do memorial que está sendo trocado e a opção escolhida, com nome comercial, fornecedor e referência.
  • Itens mantidos. Uma frase clara de que tudo o que não foi alterado segue o memorial descritivo.
  • Valores. O preço de cada upgrade, os itens incluídos sem custo e o total.
  • Pagamento. A forma de pagamento, o número de parcelas e as datas de vencimento.
  • Prazos. Até quando o comprador pode escolher ou mudar, e o que acontece com quem não escolher (em geral, o acabamento padrão).
  • Substituição. O que acontece se um material sair de linha: troca por um equivalente de mesma qualidade, com aviso ao comprador.
  • Situações especiais. Como ficam os valores pagos se o contrato de compra for desfeito, e se o comprador pode pedir mudanças depois de assinar.
  • Assinatura das duas partes, com data.

Prazo de escolha e quem não escolhe

O prazo de escolha precisa estar escrito, com data, e casar com o cronograma de compras e de acabamentos da obra. Ele protege os dois lados: o comprador sabe até quando pode decidir, e a incorporadora não fica presa a mudanças de última hora.

Deixe igualmente claro o que acontece com quem não concluir no prazo. O mais comum é a unidade receber o acabamento padrão do memorial descritivo, sem custo adicional. Lembre os compradores com antecedência, e guarde o registro desses lembretes.

Os erros que geram divergência na entrega

  • Descrição vaga. “Piso conforme reunião” ou “bancada clara” não dizem o que comprar. Use nome comercial, fornecedor e referência.
  • Erro de digitação. Um código ou uma cor errada no termo aparece só na vistoria, quando já foi instalado.
  • Mudança sem registro. Um ajuste combinado por telefone ou mensagem, e que não entrou num documento assinado, vira palavra contra palavra.
  • Versões diferentes. O comprador assinou uma versão, suprimentos comprou por outra planilha.
  • Falta de regra para material descontinuado. Sem cláusula de substituição, qualquer troca precisa ser negociada de novo.

Quase todos esses erros vêm do mesmo lugar: o termo é redigido à mão a partir de anotações, e a lista de compras é montada separadamente. Quando os dois saem da mesma fonte, as escolhas confirmadas pelo comprador, a divergência praticamente desaparece. Veja também o guia completo de personalização de unidades.

Checklist de revisão antes da assinatura

  • Comprador, unidade e tipologia corretos
  • Cada item alterado com ambiente, padrão trocado e opção escolhida
  • Nome comercial, fornecedor e referência de cada material
  • Frase dizendo que os itens não alterados seguem o memorial descritivo
  • Preço de cada upgrade e total conferidos
  • Forma de pagamento, parcelas e vencimentos
  • Prazo de escolha e regra para quem não escolher
  • Cláusula de substituição de material descontinuado
  • Modelo revisado pelo seu jurídico

Como a ConfigDar gera o contrato de personalização

Na ConfigDar, o comprador escolhe os acabamentos no site da incorporadora, ambiente por ambiente, define a forma de pagamento e confirma. Nesse momento:

  • O contrato do comprador é gerado exatamente com o que ele escolheu: cada acabamento, o total e a forma de pagamento. Ninguém digita nada.
  • Sua equipe visualiza cada contrato no Portal e baixa em Word editável, para revisar antes de enviar para assinatura.
  • A lista de materiais sai das mesmas escolhas, então o que foi contratado e o que vai ser comprado batem.
  • No prazo final, quem não concluiu recebe automaticamente os acabamentos padrão.

Veja como a ConfigDar funciona, passo a passo, ou leia o guia sobre kit acabamento.

Contratos no Portal ConfigDar: um contrato por comprador que concluiu as escolhas

Perguntas frequentes

O memorial descritivo é obrigatório?

Na incorporação imobiliária, o memorial descritivo faz parte dos documentos exigidos pela Lei 4.591/1964 para o registro da incorporação. Confirme os detalhes do seu caso com o seu jurídico.

A personalização altera o memorial descritivo registrado?

Em geral, não. O memorial continua descrevendo o padrão do empreendimento, e as alterações de cada unidade ficam num termo de personalização ou aditivo assinado entre a incorporadora e o comprador.

Termo de personalização ou aditivo ao contrato: qual usar?

Os dois nomes aparecem no mercado para o mesmo objetivo: registrar as escolhas, os valores e as condições. A forma certa depende do seu contrato de compra; defina o modelo com o seu jurídico.

O comprador pode mudar as escolhas depois de assinar?

Depende do que o termo prevê. É comum permitir mudanças até o prazo de escolha e travar depois. Toda mudança precisa gerar um novo documento assinado.

E se o material escolhido sair de linha?

Preveja no termo a substituição por um material equivalente, de mesma qualidade, com aviso ao comprador. Sem essa cláusula, cada troca precisa ser negociada de novo.

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